Human Flow, o filme protesto de Ai WeiWei

Todos nós já ouvimos falar da crise de refugiados que vem se desdobrando globalmente há alguns anos, de civis sírios que fogem de bombas aos ataques químicos  e o sofrimento do povo rohingya que enfrenta a limpeza étnica em Mianmar. A partir da segurança de nossas casas ou escritórios, é fácil fugir das manchetes e notícias da triste realidade com a qual devemos nos acostumar. Human Flow, um documentário épico do artista e ativista chinês Ai Weiwei, veio colocar o dedo na ferida.

Filmado em 23 países com a ajuda de mais de 200 pessoas de várias partes do mundo, o filme de Ai traça as jornadas perigosas empreendidas por pessoas que fogem do tumulto com uma empatia profundamente afetiva. Intimista e épico, conta as histórias pessoais daqueles por trás das estatísticas, através de uma linguagem cinematográfica que entrelaça poesia com fatos concretos, riso com adversidade e o trágico com o incrivelmente belo.

É um filme com dois objetivos complementares, dando voz àqueles que as circunstâncias lhes roubaram, e alertando os mais afortunados que acham que essa crise não tem nada a ver com eles, que isso é algo que você tem ficar à parte.

Tudo começou em 2015 em uma viagem à Grécia com seu filho, quando Ai testemunhou um barco inflável sobrecarregado com imigrantes que chegavam a ilha de Lesbos. Naquela época, a guerra civil da síria fez mais de 3,8 milhões fugirem de seus países (o número subiu para 5,4 milhões), a maioria dos quais está confinada em campos de refugiados superlotados no Líbano e Peru.

Muitos desses refugiados, juntamente com outros que fugiram do caos, da perseguição e da pobreza em países como o Iraque e o Afeganistão, procuraram asilo no norte da Europa e começaram uma nova vida. Mas para isso precisavam primeiro ir até lá, numa viagem perigosa que envolve a travessia da Turquia para a Grécia, ou mais precariamente da Líbia para a Itália, em barcos construídos de forma inadequada, sobrecarregados impiedosamente por contrabandistas; o que resultou em centenas deles se afogando tragicamente, exemplificado pela visão do corpo do menino de três anos de idade, Aylan Kurdi, em uma praia turca em setembro de 2015, uma cena de partir o coração que o artista mais tarde recriou com seu próprio corpo em uma assombrosa fotografia.

Apesar das circunstâncias horrendas descritas, o filme evita propositadamente a apresentação dos refugiados como vítimas. Como o editor Niels Pagh Andersen explica, o objetivo era “ir além de qualquer tipo de pena ou medo e vê-los como seres humanos” e “oferecer”, como acrescenta o produtor executivo Andrew Cohen, “dignidade, esperança e humor durante uma odisséia angustiante ”. Em um ponto do filme, enquanto a câmera filma uma fila de refugiados, um deles segura uma placa com uma única palavra: “respeito”; é um momento comovente que encapsula a ambição dos cineastas e, por extensão, a dimensão humana da crise.

O filme estreiou no Festival de Veneza do ano passado, e desde o começo desse ano entrou em cartaz em vários países, inclusive o Brasil.

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funkytown

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